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Thursday, January 31, 2013

Arriscar é: estragar?

Alguns lidam com o amor como quem lida com o enxoval,
não usam e poupam tanto que acabam por deixar que tudo
se estrague em vez de o pôr a render.

Tuesday, January 29, 2013

Arriscar é: la luna

Porque há pedaços de céu deliciosos que os olhos comem e alimentam a alma:

http://videos.sapo.pt/oyMfZTizmeWeoQqtjuLt

Monday, January 28, 2013

Arriscar é: alcançar

Há pessoas que nos atiram palavras;
Há pessoas que nos disparam palavras;

e há pessoas que nos alcançam as palavras.

Wednesday, January 23, 2013

Arriscar é: 40+4


40+4
A tanto e a tantos que recebi e a quem me dei.
No ano da Fé, e a propósito de mais um aniversário resolvi fazer uma restrospectiva do caminho da fé até ao presente. Assim, olhei para os grupos, Movimentos, ou simples atividades onde se foi materializando o meu itinerário de fé. Sendo 44 os anos de vida, dos muitos momentos partilhados, selecionei 44. Quase de certeza que cada um que ler esta ação de graças se encontrará nela algures.
11.       Catequese – O primeiro grupo a que pertenci neste percurso foi o da Catequese Paroquial em Alcobaça. Uma etapa que iniciei  na 4ª classe na escola primária. Aos sábados à tarde lá ía um grupinho de miúdos do meu bairro até ao Mosteiro (antigo Tribunal) onde todas as crianças, à mesma hora cantavam o hino da Catequese e davam os seus primeiros passos na doutrina. Foi muito importante o acolhimento, a valorização e aprendizagem feita com as catequistas a quem hoje já sou eu que vou pregando em missas e Retiros.
22.       Educação Moral e Religiosa – No início do ciclo preparatório fui inscrito nesta disciplina. Gostei muito dos primeiros anos. Fazíamos coisas diferentes das outras disciplinas e aprendíamos valores humanos e cristãos em dinâmicas lúdicas que exercitavam a minha criatividade. Já vem daqui. No liceu o ambiente de “balda” que se vivia nas aulas levaram a que não me inscrevesse na disciplina.
33.       Acólitos – Na preparação da Profissão de Fé fui convidado pelo Prior para ser acólito. Comecei de semana pois tinha muita vergonha de vestir a túnica, o que era motivo de brincadeira pelos outros amigos. Com o tempo este serviço responsabilizou-me e puxou muito pela minha formação humana e cristã. Sendo um pouco nervoso ali tive de me superar muitas vezes. Bons e grandes amigos ali tive e tenho.
44.       Eliezer – Entre os acólitos e o grupo de crisma do meu irmão formou-se um grupo de Jovens com este nome. Foram tempos mágicos. Os campos de férias e as restantes aventuras que vivemos em Alcobaça e S. Martinho do Porto ainda nos unem numa bela cumplicidade. As artes, como a música e o teatro tiveram aqui o apogeu. Grandes picnics.
55.       Obra das Vocações e Seminários – Depois de entrar para o Seminário os primeiros tempos foram marcados pela ida às paróquias onde o tema das vocações e seminários sempre eram o motor. Além do mais recordo com saudade os dias de contacto com estes grupos para rezar, meditar ou simplesmente para irmos buscar donativos em fruta e batatas para o Seminário. Ttudo isto pela diocese e em especial pela minha zona, Alcobaça.
66.       CNEscutas- Fui escuteiro já “velho”. Após o CI e CIP fiz a minha promessa de Caminheiro e Dirigente em Moscavide. Foi muito bom tudo o que aqui aprendi e experienciei em veladas de armas e acampamentos. Comecei tarde mas com o entusiasmo de uma criança. Guardo saudade dos muitos agrupamentos e dos elementos que fui conhecendo. Um dia hei-de voltar.
77.       Convívios Fraternos – Com alguma resistência conheci e fiz o meu Convívio fraterno. Estava em Moscavide e lá havia um grupo muito bom. No tempo em que os Convívios tinham ainda muita força na Diocese de Lisboa. Daí por diante fiz vários como membro da equipa organizadora. Grandes emoções. Grandes momentos de vivência cristã e boas amizades.
88.       Retiro K – Esta história foi curiosa. Fui para a um destes Retiros sem saber nada do que se tratava e quase estraguei tudo. Isto ainda seminarista. Recentemente e com mais de 15 anos de Padre fui assistente espiritual do K. Já na Estefânia tenho dado apoio e encaminhados vários jovens para estes Retiros.
99.       Focolares – Ainda no Seminário e até hoje o caminho dos discípulos da Chiara têm passado por mim. A sua música marcou-me e os encontros são-me muito gratos. Inclusive na Cidadela.
110.   Conferência de S.Vicente Paulo – No Seminário dos Olivais reativamos a Conferência. Ali começou o meu contacto com esta pastoral de cariz social que se manteve até hoje onde o trabalho é realmente com muitos dos mais pobres.
111.   Cursilhos de Cristandade – Quando era pequeno ouvia falar deste movimento. Na minha terra não era bem visto pois não se sabia o que se passava lá e nas ultreias onde só podiam ir os que já tivessem ido ao cursilho. A verdade é que muitos dos mais comprometidos nas Comunidades paroquiais eram cursistas. Já nas Caldas da Rainha fiz o cursilho. Foi com o meu Pai e em Fátima. Não foi uma experiencia muito tocante pois já tinha feito muitos convívios fraternos e Retiros K mas sempre fui participando, ora nos cursilhos ora nas ultreias. Muitos dos meus fregueses participaram por indicação nossa. Ainda hoje estamos muito metidos na assistência a este movimento.
112.   Equipas Nossa Senhora – Entrei para as equipas de casais já nas Caldas da Rainha. Uma equipa com gente madura com os quais vivi momentos muito ricos. Em Lisboa tenho sido assistente de equipa que ajudei a formar e pregador de retiros ao movimento.
113.   Casais Sta. Maria – Este outro movimento da Pastoral familiar também me trouxe boas memórias e amigos dos retiros e encontros onde participei.
114.   Renovamento Carismático Católico – Apesar de já ter conhecido o movimento desde o tempo da Lourinhã, tem sido em Lisboa que a minha assistência se tem tornado mais efetiva. Da Portela, passando por S. João de Deus, Graça, Moita, Sta Maria dos Olivais e o mais antigo Carnide, grandes e profundos momentos de ensinamento e louvor ali tenho vivido. Como em todos os outros movimentos toca-me a dedicação dos seus coordenadores.
115.   Grupo A Caminho – Peregrinar é algo inerente à nossa condição humana. Para além das muitas Peregrinações que já organizei, as deste grupo e as suas dinâmicas têm sido muito inspiradoras. Estes são já do tempo em S. João de Deus e  alguns dos amigos com os quais faço caminho no presente.
116.   Movimento da Mensagem de Fátima - A ligação ao Hospital D. Estefânia trouxe-me para o pé da Beata Jacinta Marto. Muitos são os Grupos que nestes 10 anos foram vindo até cá para aprofundar a mensagem de Fátima neste seu capítulo. Entre estes grupos, nacionais e estrangeiros, está o da Mensagem de Fátima quer Juvenil quer Adulto com o qual nos vamos encontrando e construindo a fé. De Fátima, ao Convento das Clarissas à Estrela e ao Hospital D. Estefânia já vamos somando muitas horas de encontro.
117.   Juventude Mariana Vicentina - No Nadadouro encontrei este Movimento. Os seus encontros locais, regionais e nacionais alimentaram a fé de muitos naqueles 5 anos de passagem por lá.
118.   Grupo Missão Mundo – Este grupo de missão para o exterior de Portugal acolheu um grupo de amigos que ali desenvolvem para além do seu crescimento pessoal, a solidariedade para os que mais precisam em Africa. Da reflexão, à celebração da Fé e ao convívio é feito este grupo da caridade cristã. Está ligado às Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres.
119.   Partilhar Balsamão – Dos primeiros anos em Lisboa e da Passagem por Telheiras surgiram estes campos de férias apostólicas. Restaurar o Convento de Balsamão, rezar com a sua comunidade, conhecer e as gentes de Trás-os-Montes marcaram vários verões com a “malta” cá de baixo lá em cima.
220.   Presépio na Cidade- É sempre uma visita muito bonita à cidade de Lisboa e ao Hospital D. Estefânia. A audácia deste conjunto de leigos é uma profecia para os dias de hoje. Anunciar Jesus nas ruas e levá-Lo no presépio a tantos que estão em situação de fragilidade é nova evangelização no seu melhor.
221.   Servitas-Foram dias, semanas e meses em que juntamente com alguns grandes amigos servitas levamos, na Imagem Peregrina, Nossa Senhora de Fátima a muitos lugares deste país. Terão sido dos momentos mais emocionantes da minha vivência religiosa onde se testemunharam muitas conversões e regressos a Deus e à Sua Igreja.
222.   Escola de Discípulos Arroios- Em várias Quaresmas fomos aprofundando a Fé dando formação sobre os evangelhos e o Credo nesta paróquia. Deu para cimentar melhor a nossa fé e a comunhão de todos, como discípulos de Jesus.
223.   Equipa Vicarial de Jovens- Ligada à Vigararia onde se insere a paróquia de S. João de Deus, acompanhei perto de 10 anos a equipa vicarial de Jovens. Um pequeno grupo de jovens muito “grandes” que testemunharam a sua fé exteriormente na realização da Via sacra em sexta feira santa e os festivais juvenis da Canção Cristã. Guardo muito boas amizades deste grupo.
224.   Amigos de Jesus- Quando cheguei à Estefânia já os Amigos de Jesus lá animavam as missas. Depois seguiram-se muitas colaborações. Ora eles veem ao Hospital animar as celebrações, ora eu vou celebrar para eles na casa do Pneuma Vitae.
225.   RCL e RCC- A rádio da Lourinhã e de Caldas da Rainha foram espaços onde me senti sempre muito bem acolhido e onde o meu trabalho me deu muita satisfação. Costumo dizer que a Rádio é o meu “desporto” favorito. Os programas em direto (moinhos de pão; arriscar; Farol) davam muito sentido aos domingos à noite. Interessante poder chegar a muitos no aconchego dos seus lares com o que anima e identifica o nosso espirito.
226.   Ir. S.José de Cluny- Estas foram as primeiras freiras que conheci. Em Alcobaça recebi catequese de algumas e fiz vários encontros de oração e formação com elas e os que elas apoiam.
227.   Servas Nª Sra Fátima- Foi no Seminário que conheci estas Irmãs. Várias ali trabalhavam e algumas conterrâneas. Durante alguns anos colaboramos em muitas iniciativas. Guardo no coração os retiros vocacionais que ajudei a realizar com elas.
228.   Filhas do Coração de Maria- Esta Congregação religiosa conheci na casa de estudantes universitárias Domus Nostra. Tem sido uma história de partilha reciproca muito bonita em celebrações eucarísticas, retiros e encontros com jovens.
229.   Irmãs  S. Vicente de Paulo - Conhecias na escola de enfermagem. Desde então foram muitas as partilhas mútuas na sua casa no Campo Grande. Muitas vezes ali pedi a bênção para os novos enfermeiros e ali preguei retiros e fiz formação para muitos. Hoje também lá deixo o carro quando vou ao Sporting.
330.   Teresianas- Estas irmãs conheci-as em Torres Vedras. Na sua casa com um pequeno grupo refletimos e rezamos a fé. Temos feito um caminho cruzado com muitos amigos comuns. Lembro um retiro muito bonito na sua casa de Elvas.
331.   Jovens em Movimento e Tá Mexer- Quando saí da Lourinhã e da Foz do Arelho foram criadas estas duas associações juvenis. Apesar de não terem dependido de nós foram um acreditar num espirito que nos animava e que acreditava que todos podem dar um pouco de si para bem dos outros, neste caso, os jovens.
332.   Equipa dos Retiros- De várias experiencias de Retiros para jovens criamos, nas paróquias por onde passámos, as equipas de Retiros. Muitos e de muitas idades recordarão os momentos em que experienciamos a fé comunitariamente na Casa Escola Agrícola da Lourinhã.
333.   Comunidade Vida e Paz- Nunca entendi muito bem a minha ligação à CVP. Nunca houve nada de oficial mas sempre esteve nos meus caminhos de vocacionado. Esta é uma das mais autênticas obras da nossa Igreja. O espirito do evangelho a formou e a há-de continuar a guiar. Agradecemos a Deus o caminho que temos feito com muitos irmãos a ela ligados.
334.   Sitio das Viagens- Este foi um sitio na Internet que marcou nestes últimos anos muita gente de muitos lugares. Por ali se concretizaram, viagens, retiros, idas ao teatro, etc, que nos vão enchendo a vida de Saudades.
335.   Estefânia Viagens- Este Blog vem continuar a belíssima herança deixada pelo anterior, unindo-me a muitos e bons amigos.
336.   MEV-Há muitos anos conheço e acompanho neste movimento que dá apoio às senhoras em situação de viuvez. No presente continuo a orientar vários retiros em Fátima das suas associadas. Lembro ainda as primeiras viagens que fiz com o movimento e muitos momentos de profunda vivência de igreja.
337.   JARC- A ação católica marcou um tempo na igreja. Eu ainda acompanhei este ramo da Juventude quando passei pela Lourinhã e pela Casa do Oeste. Ainda hoje a sua dinâmica se faz sentir por aquelas bandas por onde tanto gostamos de passar.
338.   Aliança de Misericórdia- Coube-nos acolher esta comunidade de jovens missionários brasileiros que tem sido um testemunho de esperança para os dias correntes.
339.   Volta a Casa- Já quase no fim da minha passagem pelos lados das Caldas da Raínha conheci o Joaquim Sá. Homem de Deus e dos pobres que ali dá a vida aos que mais precisam. Com ele fundamos a associação Volta a Casa onde durante vários anos muitos encontraram o apoio essencial para a sua subsistência.
440.   Sãozinha- Conhecemos a Obra da Sãozinha em S. Martinho do Porto onde têm casa de Férias. Foi uma bela caminhada até hoje. Ali celebramos a primeira missa e ali rumamos como servidores e peregrinos deste serviço aos mais pobres.
441.   Exercícios Espirituais de Sto Inácio- O retiro dos Retiros. Sto Inácio de Loyola abre-nos uma via notável de união a Jesus. Das vezes que os tenho feito, é em Palmela que mais tenho gostado e o orientador mais do nosso agrado é o P. Vasco Pinto Magalhães.
442.   Arriscar um pouco de céu- Este blog deu-nos a oportunidade de ir registando muita da nossa forma de pensar e partilhá-la com quem possa estar interessado. São sementes lançadas para pensar e viver simples.
443.   Guia para a fé – Este será um espaço na internet que esperamos traga mais valia à Igreja como um centro de boas práticas do que já acontece.
444.   Sicar Escuta Cristã- Outro sonho que desejamos ver concretizado. Um conjunto de cristãos que ofereça a todos este serviço de escuta. Que Deus nos abençoe nesta missão.

Thursday, January 17, 2013

Arriscar é: programar

Porque é que programamos o trabalho
e não programamos o descanso o descanso?

Tuesday, January 15, 2013

Arriscar é: a paz

A paz é um dever.
Ela está antes da oração.
Jesus diz que se formos rezar e não estivermos em paz com o nosso irmão
devemos deixar aí a nossa oferta e reconciliar-mo-nos primeiro.

Monday, January 14, 2013

Arriscar é: agradar?

Uns vivem só para agradar.
Sabemos que umas das coisas que não fazem só bem é ter 
é que façam tudo só para nos agradar.
Nem sempre a mãe que sempre agrada ajuda ou educa bem.
Temos que equacionar a diferença entre o amar e o agradar.
Vivemos para amar ou agradar?

Saturday, January 12, 2013

Arriscar é: pessoa


Num meio-dia de fim de primavera

Eu tive um sonho como uma fotografia

Eu vi Jesus Cristo voltar à terra.

Veio pela encosta de um monte.

E era a eterna criança, o Deus que faltava.

Tornando-se outra vez menino,

A correr e a rolar pela relva

E a arrancar flores para deitar fora.

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir desegunda pessoa da Trindade.

Um dia, que Deus estava dormindo

e que o Espírito Santo andava a voar

Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro, ele fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo, ele criou-se eternamente humano e menino.

E com o terceiro ele criou um Cristo
e o deixou pregado numa cruz que serve de modelo às outras.

Depois ele fugiu para o sol

e desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje ele vive comigo na minha aldeia

e mora na minha casa em meio ao outeiro.

É uma criança bonita, de riso e natural.

Atira pedra aos burros.

Rouba a fruta dos pomares.

E foge a chorar e a gritar com os cães.

...

Ele é apenas humano,

limpa o nariz com o braço direito,

chapina as possas d'água;
colhe as flores, gosta delas,

esquece-as.

E porque sabe que elas não gostam
e que toda a gente acha graça,

ele corre atrás das raparigas
que carregam as bilhas na cabeça e levanta-lhes as sáias.

A mim, ele me ensinou tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas.

Aponta-me todas as belezas que há nas flores.

E mostra-me como as pedras são engraçadas

quando a gente as tem nas mãos e olha devagar para elas.

Ensinou-me a gostar dos reis e dos que não são reis.

E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.

...

E eu o levo ao colo para minha casa.

Damo-nos tão bem na companhia de tudo

que nunca pensamos um no outro.

Mas vivemos juntos os dois

com um acordo íntimo,

como a mã0 direita e a esquerda.

Ao anoitecer, nós brincamos nas cinco pedrinhas do degrau da porta de casa.

Graves, como convêm a um deus e a um poeta.

É como se cada pedra fosse um universo

e fosse por isso um grande perigo deixá-la cair no chão.

Depois ele adormece.

E eu o deito na minha cama despindo-o lentamente

seguindo um ritual muito limpo, humano e materno até ele ficar nu.

E ele dorme dentro da minha alma.

Às vezes ele acorda de noite e brinca com os meus sonhos.

Vira uns de perna para o ar.

Põe uns encima dos outros.

E bate palmas sozinho sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo.

E leva-me para dentro da tua casa.

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer.

E dá-me os sonhos teus para eu brincar...


(Alberto Caeiro)

Monday, January 07, 2013

Arriscar é: enquanto

Enquanto uns gastam a lamentar o seu infortúnio
outros gastam tempo com as causas e as soluções.
E tu?

Wednesday, January 02, 2013

Arriscar é: se...10

E se...
O nosso ideal fosse de novo e sempre definido?

Em 1954, Pablo Neruda escreveu este poema sobre Portugal:

“Portugal, volta ao mar, a teus navios
Portugal volta ao homem, ao marinheiro, volta à tua terra, à tua fragrância, à tua razão livre no vento, de novo… à luz matutina do cravo e da espuma. 
Mostra-nos teu tesouro, teus homens, tuas mulheres, não escondas mais teu rosto de embarcação valente posta nas avançadas do Oceano.
Portugal, navegante, descobridor de Ilhas, inventor de pimentas, descobre o novo homem, as ilhas assombradas, descobre o arquipélago no tempo.
A súbita aparição do pão sobre a mesa, a aurora, tu, descobre-a, descobridor de auroras. Como é isso?
Como podes negar-te ao ciclo da luz tu que mostraste caminhos aos cegos?
Tu, doce e férreo e velho, estreito e amplo Pai do horizonte, como podes fechar a porta ao vento com estrelas do Oriente?
Proa da Europa, procura na correnteza as ondas ancestrais, a marítima barba de Camões.
Rompe as teias de aranha que cobrem tua fragrante copa de verdura e então a nós outros, filhos dos teus filhos, aqueles para quem descobriste a areia até então escura da geografia deslumbrante, mostra-nos que tu podes atravessar de novo o novo mar escuro e descobrir o homem que nasceu nas maiores ilhas da terra.
Navega, Portugal, a hora chegou, levanta tua estatura de proa e entre as ilhas e os homens volta a ser caminho. A esta idade agrega tua luz, volta a ser lâmpada aprenderás de novo a ser estrela”.